Lição 8 18 de Maio a 24 de Maio

Confiança na Bondade de Deus (Habacuque)

Sábado à tarde

 

LEITURA PARA O ESTUDO DA SEMANA: Habacuque 1:1-17; 2:2-4; Gálatas 3:11; Hebreus 11:1-13; Habacuque 3; Filipenses 4:11.

 

VERSO ÁUREO: “Porque a Terra se encherá de conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” Habacuque 2:14.

 

PENSAMENTO-CHAVE: Podemos nem sempre compreender a razão por que acontece a tragédia, mas podemos confiar em Deus, haja o que houver.

 

DEPOIS DE PREGAR SOBRE A PRESENÇA permanente de Deus no meio das adversidades da vida, um pastor foi confrontado por uma mulher que, em lágrimas, lhe perguntou: “Pastor, onde estava Deus no dia em que o meu único filho morreu?” Lendo a profunda tristeza do seu rosto, o pastor ficou em silêncio e depois respondeu: “Deus estava no mesmo lugar onde estava no dia em que o Seu único Filho morreu para nos salvar da morte eterna.”

Como nós, Habacuque foi testemunha de injustiça, violência e maldade. Pior ainda, Deus parece ficar em silêncio no meio de tudo aquilo, embora Ele pedisse de facto a Habacuque que confiasse nas Suas promessas.

O profeta não viveu para ver o cumprimento dessas promessas; contudo, aprendeu de algum modo a confiar nelas. O seu livro começa com uma queixa a Deus, mas termina com um dos mais belos cânticos da Bíblia. A exemplo de Habacuque, devemos nós também esperar com fé até ao tempo em que o mundo “se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”.

Leitura Bíblica: II Crónicas 26-28.

SOP: A Ciência do Bom Viver, Salvo para Servir (95)

Comentário

 

A fé que é para salvação não é uma fé casual, não é o mero assentimento do intelecto, é a crença implantada no coração, que abraça Cristo como Salvador pessoal, com a certeza de que Ele pode salvar perfeitamente aqueles que por Ele vão a Deus. Crer que Ele salva outros, mas não vos salvará a vós, não é fé genuína; mas quando a alma se apoia em Cristo como a única esperança de salvação, então manifesta-se fé genuína. Esta fé leva o seu possuidor a colocar em Cristo todas as afeições da alma; o seu entendimento fica sob o controlo do Espírito Santo, e o seu caráter é moldado segundo a semelhança divina. A sua fé não é uma fé morta, mas uma fé que opera por amor, e leva-o a contemplar a beleza de Cristo, e a tornar-se semelhante ao caráter divino. [Deut. 30:11-14 citado.] “E o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua semente, para amares ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas”. (Deut. 30:6). – Mensagens Escolhidas, vol. 1, pp. 391 e 392.

 

A fé em Cristo que salva a alma não é o que muitos a representam ser. “Creiam, creiam”, é o seu apelo, “creiam apenas em Cristo e serão salvos. É tudo o que vocês têm de fazer”. Embora a verdadeira fé confie completamente em Cristo para a salvação, levará à perfeita conformidade com a Lei de Deus. A fé manifesta-se nas obras. E o apóstolo João declara: “Aquele que diz: Eu conheço-O e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso” (I João 2:4). – Review and Herald, 5 de outubro de 1886.

 

A fé, a fé salvadora, deve ser ensinada. A definição dessa fé em Jesus Cristo pode ser dada em poucas palavras: É o ato da alma pelo qual o homem todo se entrega à guarda e ao controlo de Jesus Cristo. Ele permanece em Cristo e Cristo habita na alma supremamente, pela fé. O crente confia alma e corpo a Deus, e com convicção pode dizer: Cristo é capaz de guardar aquilo que Lhe confiei, até àquele dia. Todos os que fizerem isso serão salvos para a vida eterna. Haverá a certeza de que a alma foi lavada no sangue de Cristo e revestida com a Sua justiça, sendo preciosa à vista de Jesus. Os nossos pensamentos e as nossas esperanças estão no segundo advento do nosso Senhor. Este é o dia em que o Juiz de toda a Terra recompensará a confiança do Seu povo. – Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 531.

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UM PROFETA PERPLEXO

Domingo, 19 de Maio.

 

Leia Habacuque 1. Que perguntas fez o profeta a Deus? Embora a sua situação fosse, naturalmente, diferente da nossa, com que frequência nos vemos a nós mesmos a fazer estes tipos de perguntas?

 

Habacuque é único entre os profetas porque não falou por Deus ao povo, mas falou, sim, a Deus sobre o povo. O profeta começou com um grito de espanto a sua luta para compreender os propósitos de Deus: “Até quando, Senhor?” Esta pergunta, na Bíblia, é típica de um lamento (Sal. 13:1; Jer. 12:4). Tem por detrás de si uma situação de crise, da qual o orador procura libertação.

A crise sobre a qual Habacuque clama por socorro é a violência que permeava a sociedade. A palavra hebraica original para “violência” é hamas, utilizada seis vezes no livro de Habacuque. O termo transmite a ideia de agressão, tanto física como moral, dirigida a outras pessoas (Gén. 6:11).

Sendo profeta, Habacuque sabia bem quanto Deus ama a justiça e detesta a opressão; por isso, o profeta quis saber a razão por que Deus consentia que a injustiça persistisse. À sua volta, ele percebia violência e transgressão da lei, parecendo que os ímpios triunfavam sobre os justos. A justiça estava a ser pervertida pelos poderosos, tal como acontecera no tempo de Amós (Amós 2:6-8), e tal como acontece com tanta frequência nos dias de hoje.

A resposta que Deus deu revelou os planos que Deus tinha para o futuro. O Senhor iria servir-Se dos exércitos de Babilónia para punir o Seu povo. Este anúncio surpreendeu o profeta. Ele não esperava que Deus fosse usar um exército tão implacável para disciplinar Judá. No versículo 8, a cavalaria babilónica é comparada a leopardos, lobos e águias – três predadores cuja velocidade e força provocam morte violenta às respetivas presas.

A arrogância desumana de Babilónia não reconhecia responsabilidades, não procurava arrependimento nem dava oportunidade a reparações. Violava a ordem mais fundamental da vida criada. Habacuque é dito que o exército de Babilónia seria utilizado como “uma vara da Minha ira” (Isa. 10:5). Essa punição ocorreria durante a vida de Habacuque (Hab. 1:5). É toda uma situação que levanta questões ainda mais difíceis sobre a justiça divina.

 

Como é que podemos aprender a confiar na bondade e na justiça de Deus quando o mundo parece tão cheio de maldade e injustiça? Qual é o único recurso que temos?

 

Leitura Bíblica: II Crónicas 29-31.

Comentário

 

Quando Josias começou a reinar, e muitos anos antes, os sinceros em Judá questionavam-se se as promessas de Deus feitas ao antigo Israel seriam cumpridas. Do ponto de vista humano, o propósito divino para a nação escolhida parecia quase impossível de ser realizado. A apostasia dos primeiros séculos tinha ganho forças com o passar dos anos. Dez das tribos tinham sido espalhadas entre os pagãos e apenas as tribos de Judá e Benjamim permaneceram, e mesmo essas pareciam estar à beira da ruína nacional e moral. Os profetas tinham começado a predizer a completa destruição da sua aprazível cidade, onde se erguia o templo de Salomão e onde se centralizavam todas as suas esperanças de grandeza nacional. Seria possível que Deus estivesse prestes a desistir de cumprir o Seu juramentado de libertar os que confiassem n’Ele? Face à longa perseguição dos justos, e da aparente prosperidade dos ímpios, poderiam os que tinham permanecido leais a Deus aguardar dias melhores?

Estas ansiosas interrogações foram pronunciadas pelo profeta Habacuque. Contemplando a situação dos fiéis nos seus dias, expressou a angústia que ia no seu coração, perguntando: “Até quando, Senhor, clamarei por Ti, sem me escutares, até quando denunciarei diante de Ti a violência, sem me vires libertar? Porque me fazes ver tanta maldade e encontrar tanta injustiça? De facto só vejo diante de mim opressão e violência, lutas e desordens. Não se cumpre a Lei, nem se respeita o direito. O mau persegue o bom e a justiça é falsificada.” Hab. 1:2-4.

Deus respondeu ao clamor dos Seus filhos leais. Através do Seu porta-voz revelou a Sua determinação de corrigir a nação que O tinha desprezado para servir aos deuses dos gentios. Durante a vida de alguns que estavam então preocupados com o futuro, Ele miraculosamente modelaria os planos das nações dominantes na Terra, levando Babilónia à ascendência. Esse povo caldeu, “horrível e terrível” (Hab. 1:7), cairia subitamente sobre a terra de Judá como um açoite divinamente escolhido. Os príncipes de Judá e os mais nobres de entre o povo seriam levados cativos para Babilónia. As cidades e vilas da Judeia e os campos cultivados seriam devastados, nada sendo poupado. – Profetas e Reis, pp. 257 e 258 (Ed. PSerVir).

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VIVER PELA FÉ

Segunda, 20 de Maio.

 

Em Habacuque 1:12-17, a resposta que Deus deu às perguntas de Habacuque levantam uma questão ainda mais inquietante: pode um Deus justo usar os ímpios para punir aqueles que são mais justos do que eles? A pergunta que Habacuque fez no versículo 17 tinha a ver com a justiça divina.

Habacuque estava perplexo, não apenas pela degeneração entre o seu próprio povo, mas também pela certeza de que o seu país iria ser punido por uma outra nação, uma que era pior. O profeta estava perfeitamente ciente dos pecados de Judá, mas, fosse por que padrões fosse, o seu povo, particularmente os justos no seu meio, não era tão iníquo como os pagãos babilónicos.

 

Leia Habacuque 2:2-4. Que esperança é aí apresentada?

 

 

Habacuque 2:2-4 é uma das passagens mais importantes da Bíblia. O versículo 4, em particular, exprime a essência do evangelho, e é o fundamento do versículo que, segundo se afirma, deu início à Reforma Protestante. Pela fé em Jesus Cristo recebemos a justiça de Deus; é-nos creditada a justiça do próprio Deus. A Sua justiça torna-se nossa. É aquilo a que chamamos a justificação pela fé.

 

O versículo 4 é uma declaração concisa do caminho da salvação e do ensino bíblico sobre a justificação pela fé. De que modo este versículo foi utilizado pelos escritores do Novo Testamento? Rom. 1:17; Gál. 3:11; Heb. 10:38.

 

No meio de toda esta agitação e das interrogações sobre o mal, a justiça e a salvação, Habacuque 2:4 apresenta um nítido contraste entre o fiel e o orgulhoso. É a conduta de cada um destes grupos que vai determinar o seu destino: os arrogantes fracassarão enquanto os justos viverão pela fé. A palavra hebraica para (emuna) é melhor traduzida por “fidelidade”, “constância” e “fiabilidade”. Embora aquela pessoa que vive pela fé não seja salva pelas suas obras, as suas obras demonstram que ela vive pela fé. A sua fé é revelada nas suas obras e, desse modo, é prometida a essa pessoa a vida eterna.

 

Leitura Bíblica: II Crónicas 32 e 33.

Comentário

 

Devemos acalentar e cultivar a fé de que os profetas e os apóstolos testificaram – a fé que se apropria das promessas de Deus, e espera por libertação quando e como Ele designar. A palavra segura da profecia terá o seu cumprimento final no glorioso advento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. O tempo de espera pode parecer longo, a alma pode estar oprimida pelas circunstâncias desanimadoras, muitos em quem se colocou confiança podem cair pelo caminho – mas, com o profeta que se esforçou por animar Judas num momento de apostasia sem paralelo, declaremos com confiança: “O Senhor está no Seu santo templo: cale-se diante d'Ele toda a Terra.” Hab. 2:20. Mantenhamos sempre na memória a animadora mensagem: “A visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará, e não mentirá: se tardar, espera-O, porque certamente virá, não tardará. … o justo, pela sua fé, viverá.” Hab. 2:3 e 4. – Review and Herald, 15 de julho de 1915.

 

O justo, pela sua fé, viverá. Hab. 2: 4.

Muitos não exercem aquela fé que têm o privilégio e o dever de exercer, esperando muitas vezes receber aquele sentimento que só a fé pode trazer. Sentimento não é fé; ambos são coisas distintas. Cabe-nos a nós exercitar a fé; mas é Deus Quem dá aquele sentimento de alegria e as bênçãos. A graça de Deus chega até nós através da fé viva, e está ao nosso alcance exercitar essa fé.

A verdadeira fé apreende e suplica a bênção prometida, antes que esta se realize e a experimentemos. Devemos, pela fé, enviar as nossas petições para dentro do segundo véu, e fazer com que a nossa fé se apodere da bênção prometida e a invoque como sendo nossa. Devemos então crer que recebemos a bênção, porque a nossa fé se apoderou dela, e, segundo a Palavra, é nossa. “Tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis” (Mar. 11:24). Isto é fé, e fé pura; o crer que recebemos a bênção, mesmo antes que a vejamos. ... Muitos supõem, porém ... que não podem ter fé a menos que sintam o poder do Espírito. Essas pessoas confundem a fé com as bênçãos que a acompanham. O tempo em que deveríamos exercer a fé é aquele em que nos sentimos privados do Espírito. Quando densas nuvens de trevas parecem pairar sobre o espírito, então é o momento para fazer com que a fé viva penetre nas trevas e disperse as nuvens. A verdadeira fé baseia-se nas promessas contidas na Palavra de Deus, e apenas aqueles que obedecem a essa Palavra podem exigir as suas gloriosas promessas. – Maravilhosa Graça (Meditações Matinais, 1974), p. 205.

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A TERRA SE ENCHERÁ (Habacuque 2)

Terça, 21 de Maio.

 

A resposta de Deus à pergunta do profeta em Habacuque 1:17, tal como registada no capítulo 2, continua na forma de um cântico que põe a ridículo o opressor arrogante. Nada menos do que seis ais (Heb. 2:6, 9, 12, 15, 19) reafirmam a mensagem de que a condenação de Babilónia estava traçada. A punição sobre o inimigo seria de acordo com o princípio de “medida por medida”. Aquilo que os ímpios fizerem às suas vítimas, no final, ser-lhes-á feito a eles próprios. Colherão o que semearem, porque Deus não pode ser escarnecido por seres humanos orgulhosos (Gál. 6:7). Em contraste com os opressores, que, no final, serão julgados por Deus, os justos têm a promessa da vida eterna em Cristo, independentemente do que lhes acontece aqui nesta vida. Ao descrever o remanescente fiel no final dos tempos, o livro de Apocalipse recorre à expressão “a paciência dos santos” (Apoc. 14:12). Na verdade, os justos são persistentes na sua espera da intervenção divina, mesmo que só a venham a ver aquando da Segunda Vinda.

 

Leia Hebreus 11:1-13. De que modo estes versículos nos ajudam quando nos confrontamos, no nosso contexto próprio, com as mesmas interrogações com que se debateu Habacuque?

 

 

A resposta suprema que Deus deu às questões de Habacuque foi a afirmação da Sua constante presença. Confiança na presença de Deus e certeza no Seu julgamento, apesar das aparências em contrário; esta é a mensagem do livro de Habacuque, bem como a mensagem de toda a revelação bíblica. A fé profética é confiança no Senhor e no Seu imutável caráter.

“A fé que fortaleceu Habacuque e todos os santos e justos, naqueles dias de grande provação, é a mesma que mantém o povo de Deus hoje. Nas horas mais escuras, sob as mais difíceis circunstâncias, o crente cristão pode apoiar-se na fonte de toda a luz e poder. Dia-a-dia, pela fé em Deus, a sua esperança e ânimo podem ser renovados.” – Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 258, ed. PSerVir.

Leitura Bíblica: II Crónicas 34-36.

Comentário

 

A obediência e a submissão às reivindicações de Deus são as condições apresentadas pelo inspirado apóstolo para nos tornarmos filhos de Deus, membros da família real. Cada criança e jovem, cada homem e mulher foi por Jesus, através do Seu próprio sangue, salvo do abismo da ruína a que Satanás os impelia. Pelo facto de os pecadores não aceitarem a salvação que lhes é oferecida, ficam livres da sua obrigação? O facto de preferirem permanecer no pecado e na ousada transgressão não diminui a sua culpa. Jesus pagou o preço por eles, e eles pertencem-Lhe. São Sua propriedade; e, se não prestarem obediência Àquele que deu a vida por eles, mas consagrarem o seu tempo, as suas forças e talentos ao serviço de Satanás, estão a receber o seu salário, que é a morte. Glória imortal e vida eterna são a recompensa oferecida pelo nosso Redentor aos que Lhe forem obedientes. Ele fez com que fosse possível que aperfeiçoem o caráter cristão através do Seu nome, e vençam por si mesmos como Ele venceu em benefício deles. Ele deu-lhes o exemplo na própria vida, mostrando-lhes como podem vencer. “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).

As reivindicações de Deus são igualmente obrigatórias para todos. Os que preferem negligenciar a grande salvação que lhes é oferecida gratuitamente, que preferem servir a si mesmos e permanecer inimigos de Deus, inimigos do abnegado Redentor, estão a ganhar o seu salário. Semeiam na carne, e da carne hão de ceifar a corrupção (Gálatas 6:8). – Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, p. 365.

 

Foi-me mostrada a recompensa dos santos, a herança imortal. Vi também o quanto o povo de Deus tem sofrido por causa da verdade, e que consideram o Céu muito fácil de alcançar. Reconhecem que os sofrimentos do tempo presente não são para se comparar com a glória que lhes será revelada. O povo de Deus, nestes últimos dias, será provado. Mas, em breve virá a prova final, e então receberão o dom da vida eterna. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 432.

 

O castigo pela violação da Lei de Deus é proporcional ao preço pago para remir o seu transgressor. Que inexprimível felicidade aguarda os que serão salvos por meio de Cristo, e que profundidades de infortúnio esperam os que desprezam e rejeitam a Sua grande salvação! – Signs of the Times, 3 de abril de 1884.

 

Eis que o justo é punido na Terra; quanto mais o ímpio e o pecador! Prov. 11:31.

Os ímpios recebem a sua recompensa na Terra. (Prov. 11:31.) “Serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos exércitos.” Mal. 4:1. Alguns são destruídos num momento, enquanto outros sofrem muitos dias. Todos são punidos segundo as suas ações. – Maranata, o Senhor Vem (Meditações Matinais, 1977), p. 346.

 

Deus permite que os ímpios prosperem e revelem inimizade para com Ele, para que, quando encherem a medida da sua iniquidade, todos vejam, na sua completa destruição, a justiça e misericórdia divinas. Aproxima-se o dia da Sua vingança, no qual todos os que transgrediram a Sua Lei e oprimiram o povo de Deus receberão a justa recompensa das suas ações, em que todo o ato de crueldade e injustiça, para com os fiéis, será punido como se tivesse sido feito ao próprio Cristo. – O Grande Conflito, p. 42 (Ed. PSerVir).

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RECORDANDO A FAMA DE DEUS

Quarta, 22 de Maio.

 

Leia Habacuque 3. O que é que estava Habacuque a fazer neste passo, e por que razão era tão importante, sobretudo considerando as duras circunstâncias e as difíceis interrogações que ele estava a enfrentar?

 

 

Habacuque exprime a sua aceitação dos caminhos de Deus numa oração adaptada a música (Hab. 3:19). Estando perfeitamente ciente do poder de Deus, o profeta pediu ao Senhor que Se lembrasse da Sua misericórdia quando o juízo começasse. O profeta reverentemente recordou relatos dos grandes feitos de Deus no passado e orava ao Senhor para que manifestasse então a redenção. Dá a impressão de que ele estava entre dois tempos. Por um lado, contemplava o evento do Êxodo, enquanto por outro olhava para diante, para o dia do Senhor. Ansiava por uma manifestação do poder de Deus naquela presente situação.

O hino que se encontra no capítulo 3 descreve poeticamente a libertação da escravidão egípcia, a qual Deus operou em favor de Israel. O que aconteceu no tempo do Êxodo foi uma prefiguração do grande dia do juízo. Os crentes não precisam de andar ansiosos a respeito do dia do Senhor, mas devem aguardar, perseverar e regozijar-se na esperança que têm.

O hino é também uma celebração do poder, da glória e da natureza vitoriosa de Deus. O Senhor é descrito como soberano de toda a Terra. A revelação da Sua glória é comparável ao esplendor do nascer do Sol (Hab. 3:4).

Deus julga as nações opressoras; contudo, ao mesmo tempo, Ele concretiza a redenção do Seu povo nos Seus “carros de salvação” (Hab. 3:8). À superfície, o poder de Deus nem sempre é visível, mas a pessoa que tem fé sabe que Deus está lá, haja o que houver.

Habacuque convida-nos a olhar com expectativa para a salvação que o Senhor vai trazer, quando Ele estabelecer a Sua justiça sobre a Terra e encher o mundo com a Sua glória. Quando cantam louvores ao Senhor, os membros do povo de Deus animam-se uns aos outros (Efé. 5:19 e 20; Col. 3:16); meditam sobre os feitos de Deus no passado e mantêm a esperança do glorioso futuro. O exemplo pessoal de Habacuque demonstra como alguém pode perseverar por ter na vida uma visão.

 

Dedique algum tempo a pensar na direção de Deus na sua vida pessoal. De que modo isso contribui para aprender a confiar n’Ele e na Sua bondade, independentemente do que traga o futuro imediato? Por que razão é sempre tão importante olhar para o futuro final e eterno que nos espera?

 

Leitura Bíblica: Esdras 1-3.

Comentário

 

Haverá dificuldades neste trabalho; o desânimo oprimirá a alma quando os professores virem que os seus esforços nem sempre são apreciados. Satanás exercerá sobre eles o seu poder através de tentações, desânimo, aflições por enfermidades físicas, tentando levá-los a murmurar contra Deus e a fechar-lhes o entendimento para a Sua bondade, misericórdia e amor, e o excessivo peso de glória que deve ser a recompensa do vencedor. Mas, Deus está a levar essas almas à mais perfeita confiança no seu Pai celestial. Os Seus olhos estão sobre eles em cada momento; e se erguerem o seu clamor a Ele em fé, se na sua perplexidade levarem o espírito a Ele, o Senhor fá-los-á como ouro purificado. O Senhor Jesus disse: “Não te deixarei, nem te desampararei.” Hebreus 13:5. Deus pode permitir o surgimento de uma cadeia de circunstâncias que os levem a correr para a Fortaleza, pela fé insistindo junto ao trono de Deus entre as espessas nuvens de trevas, pois mesmo aqui a Sua presença está oculta. Mas Ele está sempre pronto a livrar todos aqueles que n’Ele confiam. Obtida desta forma, a vitória será mais completa, o triunfo mais seguro, porque o provado, pressionado e afligido, pode dizer: “Ainda que Ele me mate, n'Ele esperarei.” Job 13:15. “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.”Habacuque 3:17 e 18. – Testemunhos Para a Igreja, vol. 6, pp. 156 e 157.

 

Olhem constantemente para Jesus. Levem-Lhe todas as vossas dificuldades. Ele nunca deixará de vos compreender. Ele é o refúgio do Seu povo. À sombra da Sua proteção, passarão ilesos. Creiam n’Ele e n’Ele confiem. Ele não vos entregará ao destruidor. Refugiem-se na fortaleza, e verifiquem que o poder de Cristo para fortalecer e ajudar excede toda a compreensão. Abram a porta do coração e deixem Jesus entrar, para preencher a vossa vida com a Sua paz, a Sua graça e a Sua alegria. Então poderão dizer: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas. Todavia, eu me alegrarei no Senhor: exultarei no Deus da minha salvação” (Hab. 3:17 e 18).

Queridos amigos cristãos, deixem os fardos que Deus não vos pede que carreguem. Quanto mais pensarem e falarem sobre estes fardos impostos por vocês, mais pesados se tornarão, até que, por fim, acabarão por destruir completamente a vossa fé e coragem. Não pensem que, quando andam com Jesus, têm de andar na sombra. As pessoas mais felizes do mundo são aquelas que confiam em Jesus e obedecem alegremente às Suas ordens. Da vida daqueles que O seguem é banida a inquietação e o descontentamento. Com o coração cheio fazem eco das palavras: “Os seus [da sabedoria] caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas paz.” Podem encontrar provações e dificuldades, mas as suas vidas estão repletas de alegria; pois Cristo caminha ao Seu lado, e a Sua presença torna o caminho jubiloso. – Review and Herald, 5 de janeiro de 1911.

 

Não precisamos de esperar que tudo seja luz solar neste mundo. Nuvens e tempestades vão envolver-nos, e precisamos de estar preparados para manter os olhos direcionados para onde vimos a luz pela última vez. Os seus raios podem estar ocultos, mas ainda existem, ainda brilham para além das nuvens. Compete-nos esperar, vigiar, orar e crer. Apreciaremos mais a luz do Sol depois de as nuvens desaparecerem. Veremos a salvação de Deus se confiarmos n’Ele tanto nas trevas como na luz. – Nossa Alta Vocação (Meditações Matinais, 1962), p. 316.

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DEUS É A NOSSA FORÇA

Quinta, 23 de Maio.

 

“Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; … Todavia, eu me alegrarei no Senhor: exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o Senhor, é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.” Habacuque 3:17-19. O que é que há de muito bom na atitude do profeta nesta passagem? Como é que se pode desenvolver em nós mesmos uma tal atitude? Veja também Filipenses 4:11.

 

 

As palavras finais do livro de Habacuque (Hab. 3:16-19) exprimem a resposta do profeta à revelação do poder e da bondade de Deus. Um novo olhar sobre os atos redentores de Deus despertou a coragem de Habacuque enquanto aguardava o ataque do inimigo. O medo que sentia agitava o fundo do seu ser enquanto esperava que o juízo divino caísse sobre a sua nação. A invasão podia provocar a devastação das figueiras e das oliveiras, tão altamente valorizadas na Palestina, juntamente com os igualmente apreciados frutos das videiras, cereais e gado. Contudo, a vigorosa fé do profeta permanece intocada devido a ele ter tido uma visão do Deus vivo.

Com base nas experiências que tivera no passado, Habacuque tinha conhecimento da absoluta fiabilidade de Deus. Por essa razão, resignou-se aos atuais propósitos de Deus (Hab. 3:16-19). Não obstante todas as circunstâncias desfavoráveis, o profeta estava determinado a depositar a sua confiança no Senhor e na Sua bondade, por muito desesperada que parecesse ser a sua situação.

Habacuque aguardava numa fiel confiança, embora não houvesse sinais imediatos de salvação. Ele foi um profeta que, através de diálogo, de censuras e de um hino de louvor, passou instrução aos fiéis ao longo dos séculos no sentido de desenvolverem uma fé viva mais profunda no Redentor. Pelo seu próprio exemplo, ele tem encorajado os crentes a dialogarem com Deus, a testarem a respetiva lealdade para com Ele em tempos difíceis, a desenvolverem esperança no Senhor e a prestarem-Lhe também louvor.

Habacuque termina o seu livro com uma atitude de fé maravilhosamente expressa: independentemente de quão difícil a vida se possa tornar, é possível encontrar alegria e força em Deus. A mensagem subjacente no seu livro aponta para a necessidade de esperar pacientemente pela salvação que Deus oferece, num período de opressão que não tem um fim à vista. O tema de “esperar no Senhor” domina o livro de Habacuque. Como deve esse tema ser particularmente relevante para nós, Adventistas do Sétimo Dia, nós cujo nome em si mesmo expressa a nossa fé na vinda de Jesus?

 

Leitura Bíblica: Esdras 4-6.

Comentário

 

Enfrentaremos conflitos para testar a nossa fé e coragem, mas eles tornar-nos-ão mais fortes se vencermos pela graça que Jesus está disposto a dar. Mas temos de crer, devemos agarrar-nos às promessas sem duvidar. Elas são vastas e ricas, mesmo durante os perigos e as provações dos últimos dias. Ouçam a garantia dada pelo profeta do Senhor: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas. Todavia, eu me alegrarei no Senhor: exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o Senhor, é a minha força, … e me fará andar sobre as minhas alturas” [Hab. 3:17-19]. Ao exercermos a fé, ao falarmos da fé e agirmos com fé, as promessas de Deus ser-nos-ão confirmadas. Ao andarmos consistentemente com a nossa profissão de fé, também estamos a ensinar os outros a andar circunspectamente.

Não escolham as trevas. Saiam das cavernas frias e escuras da descrença para o aposento alto onde poderão aquecer-se na luz do amor de Deus, e desfrutar da paz e do descanso na presença de Jesus. O Salvador disse: “Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” [João 8:12]. – Obreiros Evangélicos, edição de 1892, pp. 434 e 435.

 

Entretanto, no meio da tempestade do juízo divino, os filhos de Deus não terão motivos para receios. “O Senhor será o refúgio do Seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel.” Joel 3:16. O dia que traz terror e destruição aos transgressores da Lei de Deus, trará aos obedientes “alegria inefável e gloriosa” (I Ped. 1:8). “Congregai os Meus santos”, diz o Senhor, “aqueles que fizeram Comigo um concerto com sacrifícios. E os Céus anunciarão a Sua justiça; pois Deus mesmo é o Juiz.” Sal. 50:5 e 6. – Patriarcas e Profetas, pp. 298 e 299 (Ed. PSerVir).

 

Deus quer que confiemos n’Ele e desfrutemos da Sua bondade. Ele coloca ao nosso dispor um dia após o outro, e temos de ter olhos e capacidade de perceção para compreender essas coisas.

Por mais importante e glorioso que seja o completo e perfeito livramento do mal que alcançaremos no Céu, nem tudo deve ser deixado para o tempo do livramento final. Deus coloca-o na nossa vida no presente. Precisamos de cultivar diariamente a fé num Salvador presente. Confiando num poder fora e acima de nós mesmos, tendo fé num invisível apoio e poder que aguarda o pedido dos necessitados e dependentes, podemos estar confiantes tanto no meio de nuvens como da luz solar, cantando o livramento atual e o presente gozo do Seu amor.

A vida que agora vivemos deve ser pela fé no Filho de Deus. – Battle Creek Letters, p. 8.

 

Deus é uma ajuda muito presente no momento de necessidade. Se depositarem a vossa confiança n’Ele, Ele fará passar diante de vós a Sua bondade; guiar-vos-á com o Seu conselho. O Seu Espírito Santo, as Suas providências, os ensinos da Sua Palavra – todos serão agentes para vos instruir e guiar no caminho do Senhor. A promessa do Senhor para vós é: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Heb. 13:5). Portanto, podem dizer com humildade, mas com firme confiança: “Este Deus é o meu Deus para sempre e eternamente.” – Manuscript Releases, vol. 17, pp. 84 e 85.

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Sexta, 24 de Maio.

 

ESTUDO ADICIONAL: Leias os seguintes comentários e analise até que ponto nos ajudam a compreender melhor as mensagens de Habacuque.

 

“Há uma resposta à interrogação de Habacuque. É uma resposta, não em termos de pensamento, mas em termos de acontecimentos. A resposta vai ter lugar, mas não pode ser redigida em palavras. A resposta acabará por chegar com toda a certeza; ‘se tardar, espera’. É verdade que o tempo intermédio é difícil de suportar; o justo fica horrorizado com o que vê. A isto é dada a grandiosa resposta: ‘o justo viverá pela fé.’ É uma resposta, mais uma vez não em termos de pensamento, mas em termos de existência. A fé profética é confiança n’Ele, em cuja presença a quietude é uma forma de entendimento.” – Abraham J. Heschel, The Prophets, p. 143.

“Devemos acarinhar e cultivar a fé da qual deram testemunho profetas e apóstolos – a fé que se apodera das promessas de Deus, e espera pela libertação no momento e da forma apontados. A firme palavra da profecia encontrará o seu cumprimento final no glorioso advento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como Rei dos reis e Senhor dos Senhores. O tempo de espera pode parecer longo, podemos ser oprimidos por circunstâncias desanimadoras, muitos daqueles em quem confiamos podem cair ao longo do caminho; mas como o profeta que procurou encorajar Judá em tempo de apostasia sem precedentes, confiadamente declaramos: ‘O Senhor está no Seu santo templo; cale-se diante d’Ele toda a Terra.’Hab. 2:20.” – Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 259, ed. PserVir.

 

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

 

  1. Resuma o diálogo de Habacuque com Deus. Qual foi a sua queixa fundamental? Como reagiu ele às respostas de Deus?

 

  1. Poderá ser que, aos olhos de Deus, interrogações honestas e até dúvidas sejam uma atitude religiosa mais aceitável do que uma mera crença superficial? Justifique a sua resposta.

 

  1. Adventistas do Sétimo Dia de gerações passadas acreditaram todos que Cristo já estaria de volta nesta altura, e que eles teriam entretanto visto o cumprimento final de todas estas maravilhosas promessas. Como é que se aprende a manter a fé enquanto nós, de uma outra geração, aguardamos o Seu regresso? 

 

Leitura Bíblica: Esdras 7-10.

Moderador

 

Texto-Chave: Habacuque 2:14

 

Com o Estudo desta Lição o Membro da Classe Vai:

Aprender: A compreender que é bom levar a Deus as questões que nos angustiam, porque quando argumentamos com Ele aprendemos com Ele.

Sentir: Conforto ao saber que, ainda que nos sintamos desanimados ao olhar à nossa volta, olhar para cima traz esperança.

Fazer: Aprender a apresentar honestamente a Deus as nossas questões problemáticas, os nossos dissabores e queixumes. Dessa forma, Ele pode mudar os nossos sentimentos, atitudes e raciocínios.

 

Esboço da Aprendizagem:

I. Aprender: Deus Recebe Bem as Queixas

  1. Por que razão é tão importante para nós, como foi para os autores bíblicos, que comuniquemos com Deus de forma aberta, honesta e sincera?
  2. Porque é que é tão difícil esperar pela justiça de Deus?
  3. Analisem: é útil partilhar queixumes com outras pessoas, ou é melhor falar com Deus a respeito deles? Apresente as razões da sua resposta.

II. Sentir: Confiar em Deus em Tempos de Demora

  1. De que modo a confiança no Senhor dá força e nos anima?
  2. Por que razão é tão importante que os justos sejam protegidos?
  3. De que modo podemos evitar sentirmo-nos deprimidos quando o Senhor retarda a resposta às nossas interrogações?

III. Fazer: Orações Abertas e Honestas

  1. Por que motivo devemos falar a Deus dos nossos sentimentos de frustração e apresentar-Lhe as questões que angustiam?
  2. Como é que se ajuda alguém a ser aberto com Deus?
  3. Como é que se ajuda um Adventista do Sétimo Dia com dúvidas a viver com perguntas não respondidas?

 

Sumário:

A justiça é um ingrediente importante da vida e deve sempre ser contrabalançada com o amor. Só um verdadeiro conhecimento dos propósitos de Deus, tal como revelados na Sua Palavra, nos pode ajudar a confiar n’Ele apesar das tragédias e da demora nas respostas.

 

CICLO DA APRENDIZAGEM

 

1.º PASSO – MOTIVAR!

 

Realce da Escritura: Habacuque 3:17 e 18

 

Conceito-Chave para Crescimento Espiritual: Nós, como Habacuque, vivemos num mundo destroçado; um mundo de dor e injustiça que leva a interrogações sobre não apenas a existência de Deus, mas também sobre quem Ele é e como é. Habacuque 3:17 e 18 sintetiza a luta da fé que Habacuque enfrentava. Em resultado do seu diálogo com Deus, o profeta sentiu-se inspirado a olhar para lá das condições do presente e a reafirmar a sua fé na bondade de Deus.

 

Só para o Moderador: Use uma das atividades de abertura que se seguem, a fim de analisar os meios através dos quais o livro de Habacuque representa o ciclo fé-dúvida-fé renovada, quando passamos por circunstâncias onde aquilo que vivemos parece impossível de reconciliar com as nossas crenças espirituais.

 

Atividades de Abertura:

» Envolva a classe numa troca de impressões sobre até que ponto a história de Habacuque se parece ou é diferente da história de Job. Em que aspetos estas histórias nos ajudam a compreender melhor a forma de lidar com questões difíceis quando confrontados com injustiça e, particularmente, com sofrimento imerecido?

» Solicite exemplos pessoais de crises espirituais que acrescentam dimensão à compreensão do estudo desta semana.

 

2.º PASSO – ANALISAR!

 

Só para o Moderador: Ao olhar para o conteúdo e a estrutura do estudo desta semana, os seguintes elementos do relato bíblico podem demonstrar-se úteis como pontos de partida para um aprofundamento da perceção espiritual da história de Habacuque.

 

COMENTÁRIO BÍBLICO

 

I. O Livro de Habacuque: Contextualização e Estrutura

(Recapitule com a classe Habacuque 1:2-4.)

 

O livro de Habacuque pertence a uma época turbulenta da história do povo judeu, numa altura em que o equilíbrio de forças estava a passar dos Assírios para os Babilónios. O domínio da Assíria chegou ao fim com a destruição da sua capital, Nínive, pelas forças invasoras de Babilónia, em 612 a.C.. Menos de vinte anos depois de Habacuque ter escrito o seu livro, os exércitos babilónicos destruíram também Jerusalém e levaram para o cativeiro os principais cidadãos de Judá (http://www.ovrlnd.com /outlinesofbooks/Habbakkuk.html). É neste contexto, e com esta situação como pano de fundo, que Habacuque clama a Deus, seguindo esta estrutura narrativa:

1.      A Primeira Queixa de Habacuque: Por que razão o mal em Judá não é castigado? (Hab. 1:2-4).

2.      A Resposta de Deus: Os Babilónios castigarão Judá (Hab. 1:5-11).

3.      A Segunda Queixa de Habacuque: Como é que um Deus justo pode servir-Se dos ímpios de Babilónia para castigar alguém mais justo do que ela? (Hab. 1:12; 2:1).

4.      A Resposta de Deus: Babilónia vai ser castigada, e a fé será recompensada (Hab. 2:2-20).

5.      A Oração de Habacuque: Depois de implorar manifestações da ira e da misericórdia de Deus (como vira no passado), o profeta termina com uma confissão de confiança e de alegria em Deus (Habacuque 3) – http://www.biblestudytools.com/habbakkuk/.

 

Embora muito condensada, a história de Habacuque ensina pelo menos três verdades essenciais. Primeira, a história revela que lutar com dúvidas pode ser parte da experiência do cristão. Depois, demonstra a abertura de Deus para com as interrogações de Habacuque (e para com as nossas). E, por fim, a própria estrutura do livro é uma matriz de maneiras como os cristãos podem, de facto, aprofundar a sua fé em momentos de dúvida.

 

Pense Nisto: Qual é o pano de fundo do livro de Habacuque e como é que essa estrutura serviu para enquadrar e moldar as interrogações e a luta que o profeta teve? De que modo a luta de Habacuque enquadrou, por sua vez, ou estruturou narrativamente o seu livro? Quais são as três verdades essenciais que a história de Habacuque ensina?

 

II. A Queixa de Habacuque e a Resposta de Deus São Importantes

(Recapitule com a classe Habacuque 1:1-4.)

 

Há, certamente, algo muito universal nas lamentações de Habacuque por a injustiça ser desmedida no seu mundo. Hoje, mais do que nunca, parece que os justos estão cercados pelos ímpios, que a lei é impotente, e que Deus parece não Se interessar pelo sofrimento do Seu povo (Hab. 1:1-4). Habacuque interroga-se quanto à razão por que Deus consente que tais coisas aconteçam. Até parece que Habacuque vive em 2013, não é?

Muitos de nós olhamos para o mundo à nossa volta e para a nossa própria vida e vemos a ausência de Deus e da Sua justiça. Como revela a história de Habacuque, não só nos devemos voltar para Deus com os nossos dilemas e interrogações, mas é também nesses momentos que o próprio caráter de Deus é revelado. O facto de Deus consentir ser questionado por um dos Seus seguidores dá uma valiosa perceção da Sua natureza. O nosso Deus é um Deus que atende, que aceita bem as interrogações e que está disposto e é capaz de nos dar as respostas, mesmo quando essas respostas sejam difíceis de aceitar (por exemplo, quando diz a Habacuque que a justiça que ele procura poderá demorar algum tempo a chegar). O conteúdo da resposta de Deus a Habacuque também contém uma mensagem espiritual duradoura: Deus reafirma os Seus princípios de justiça. Ele revela que, ainda que o momento que Ele acha oportuno para isso possa não se enquadrar com as nossas perspetivas de tempo, o momento escolhido por Deus é perfeito.

Na história de Habacuque, a sequência de dúvida/interrogações/envolvimento com Deus é concluída pela aceitação final, por parte do profeta, da fidelidade e bondade de Deus. O triunfo da sua fé, embora as condições à sua volta não se tenham alterado, anuncia a promessa de que Deus nos concederá tanto a compreensão como as respostas suficientes para a nossa necessidade. Além disso, traz uma importante lição, e é que devemos estar aberto a respostas que não se inserem na nossa expectativa.

 

Pense Nisto: Que verdade sobre Deus nos revelam as interrogações de Habacuque?

 

3.º PASSO – PRATICAR!

 

Só para o Moderador: Para a parte prática da aprendizagem do estudo desta semana, coloque à sua classe as seguintes perguntas para reflexão. O propósito destas perguntas será encontrar meios práticos, por meio dos quais sejam incorporados elementos das verdades de Habacuque na vida pessoal e na da Igreja.

 

Perguntas para Reflexão:

 

  1. Como é que nos envolvemos em diálogo com Deus? Na maior parte dos casos, Deus não nos fala oralmente, como se estivesse mesmo aqui ao pé de nós em carne e osso. No entanto, acreditamos que Ele nos fala. Quais são os Seus métodos, e como é que provamos as respostas que recebemos para nos assegurarmos de que são vindas d’Ele?

 

  1. Como é que se vive na fé num mundo confuso? Embora saibamos que o sofrimento vai continuar enquanto houver pecado no mundo, qual deveria ser a nossa resposta a isso? Habacuque descreve o que devemos fazer quando a nossa fé está fraca, mas como é que reagimos ao sofrimento quando a nossa fé está forte?

 

Atividade: Peça aos membros da classe que dediquem algum tempo a conversar ou em silêncio a refletirem sobre as perguntas colocadas acima. Também pode encorajar os membros a escreverem alguns pensamentos, numa breve sessão de troca de ideias, e pedir que alguns voluntários falem das suas ideias e pensamentos. Que ideias podem ser postas em prática, quer pela comunidade da Igreja, quer pela classe da Escola Sabatina, quer por indivíduos? De que formas podem essas ideias ser implementadas?

 

4.º PASSO – APLICAR!

 

Só para o Moderador: Os membros da classe podem sair da lição desta semana com meios para darem resposta a interrogações próprias ou de outras pessoas nos seguintes pontos: (1) Está Deus presente?; (2) Será que Deus Se interessa?; (3) Será Deus justo? Sabendo que estas são interrogações recorrentes na caminhada cristã, quais são algumas maneiras especiais de as pessoas abordarem estas questões, a fim de aprofundarem a sua fé e a sua compreensão acerca de Deus?

 

Atividade: Para as pessoas que escrevem diários, blogues, tiram fotografias, fazem vídeos e outras coisas do género, por que razão não pensarem em meios pelos quais estas questões possam ser tidas em conta nos seus empreendimentos criativos? Servindo-se destas interrogações espirituais como ponto focal da sua escrita ou arte, isso poderá abrir uma nova perceção a respeito da própria pessoa e a respeito de Deus.

 

Pense em alargar a conversação de modo a incluir outras pessoas que possam estar a debater-se com estas mesmas questões. Envolvê-las numa série de sessões de diálogo respeitoso pode ser uma maneira interessante de construir pontes na vossa comunidade, e pode revelar que o problema do sofrimento, ou o problema de Habacuque, é também para essas pessoas uma das suas questões mais problemáticas. Pense em potenciais antigos membros que abandonaram a Igreja por causa da dúvida. O que é que se pode fazer para alcançar essas pessoas? Até que ponto pode a luta que essas pessoas travam com a dúvida – e a vossa aceitação da luta dessas pessoas como válida e como indicativa da seriedade do seu envolvimento com questões difíceis – ser algo que volta a ligá-las à comunidade de fé em vez de as afastar?